sábado, 5 de julho de 2014

Prelúdio

- Prelúdio –


O prelúdio é narrado em terceira pessoa...


            Caía a garoa fina que embelezava a vista naquele fim de tarde, e lá de dentro, o mundo todo, aqui fora, parecia passar sem se importar com o que estava acontecendo lá, dentro do carro, dentro de si, um pouco mais perdido, porém sabendo que podia agora se encontrar, pois já não era mais escravo de nada nem ninguém, “as drogas são passado agora...” pensava ele.

             Ele, chamava-se Eduardo, filho mais velho de uma família que sobrevivia sem a figura materna.

            Com as aulas paralisadas por causa da greve dos professores, de novo (!), ele ficava meio sem saber o que fazer, e definitivamente, estudar não era uma opção. Havia coisas por fazer, tinha planos de viajar para São Paulo e Minas com a banda, de rock, claro, e era tudo complicado, não somente ensaiar, mas também controlar a molecada toda, já que os outros dois componentes da banda eram menores de idade, daí os pais sempre encrencavam, havia também o convite da rádio onde queriam um CD com as canções da banda, que começava a fazer certo sucesso entre os meninos e meninas da cidade de Itaguaí.


***


Seguia o Gol preto, placa KNL 1998, agora andando a beira-mar, do lado de dentro, no aparelho de som tocavam músicas de Green Day, Blink 182, Paralamas do Sucesso, The Cure e Legião Urbana entre outros no volume mais alto. No vidro traseiro do carro via-se estampado em letras grandes e vistosas, mas ao mesmo tempo comportadas: 

NEW ERA.


Foi quando no som do carro começou a tocar uma canção de amor: “Ela passou do meu lado, oi amor, eu lhe falei...” que quase instantaneamente o carro parou beirando a orla mal conservada de Coroa Grande, nesse instante ele sentiu, e doeu como, se tivesse levado um soco no estômago, lembrou-se de como começou a escutar Rock, de como era feliz naquela época, de como adorava viver, lembrou-se que na época de seus quinze anos, nenhum problema o atingia, mesmo quando estava sem ninguém não se sentia sozinho, Elaine, sua grande paixão, era um sonho realizável e agora era parte do passado, ainda tinha sua mãe ao seu lado, e mesmo hoje, momento em que conseguiria ter qualquer garota que quisesse ele, Eduardo, sentia-se realmente só, sem um caminho prá seguir.

Resolveu voltar para casa...




Continua...

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