Capítulo
I
-
Encontro com os velhos amigos –
Os capítulos que se seguem são narrados
em primeira pessoa...
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| A tão badalada praça naquela época... |
Na volta o vazio que eu sentia por
dentro era tão grande que resolvi dar uma volta pela praça e, na necessidade de
ter alguém com quem conversar, tive grande surpresa ao encontrar com amigos que
já não tinha mais contato há muito tempo. Nesse momento a garoa já havia
passado e já era noite e, depois de gastos quase uma hora relembrando bons
momentos – nostalgia – e, no meu caso, lembrando que já foi bom viver e me
machucando ainda mais por dentro (é verdade, eu estava mal comigo mesmo), pois
não sentia os tais prazeres em viver desde aqueles tempos, Renato enfim convidou a
galera para assistir a um filme na casa dele:
- “Levo a Letícia na moto, o restante
da galera vai no carro do Eduardo,
quem não couber vai a pé mesmo, é perto!”
Como ninguém se manifestou contra,
fomos então todos, parece brincadeira, mas no meu carro fomos: eu na direção,
Marlon, Lisa, Amanda, Luana e Bruno no banco de trás, no banco do carona foram
Bruna e Clayton (ele devidamente grudado no pescoço dela e perturbando a
contada pra dar uma chance pra ele...) e, vocês não vão acreditar, mas ainda
houve espaço para acomodar Kátia e Priscilla (e meu violão) no porta-malas do
carro que seguiu aberto. Kátia e Priscilla davam-se uns “pegas” depois fiquei
sabendo que por causa disso o grupo original diminuiu, no fim o preconceito foi
maior que a amizade, mas isso é assunto para outro livro!
Assuntos complicados à parte, o que
era prá ser uma sessão de filmes ou, como costumávamos dizer: Sessão Pipoca,
que iria até às onze da noite no máximo, acabou se tornando a maior festa
improvisada (nota: no manuscrito
original está escrito "festa-bacanal") que houve na história da turma e que
só terminou de fato lá prás nove horas da manhã do dia seguinte, aquela sim foi
uma segunda-feira revigorante, aliás aquela foi A SEGUNDA-FEIRA, até hoje
comenta-se sobre ela.
A sessão de filmes foi um fracasso, o
primeiro a sair da sala onde estávamos fui eu, logo seguido por Marlon que,
como todo bom amigo, tratou de pôr minhas idéias à prova.
- “Cara, viu só quanta mulher gostosa
por metro quadrado? Eu fico louco com a Amanda cara, ‘cê’ viu ela sentada no
chão com aquela saia?”
Foi quando finalmente tentei falar
alguma coisa, não tinha visto tamanho espetáculo, se não acho que sairia dali preso
por tentativa de estupro (Ela era realmente um pecado, talvez até valesse esse!
Talvez não, ah devaneio...). Consegui balbuciar:
-“É, também acho...”
Mas ali naquele momento quem estava me
chamando realmente a atenção era Lisa. Poucos minutos se passaram e logo grande
parte do grupo estava na varanda da casa, o filme que Renato alugou era
comprovadamente uma (merda) droga, se quer me lembro qual filme era, e a
menos que se tivesse alguém para beijar durante todo o filme era melhor
procurar outra coisa prá se fazer. Ficaram na sala no escuro três casais, Renato
e Letícia, Clayton e Bruna, Kátia e Priscila, o tal casal um pouco diferente
prá nossa realidade. Marlon resolveu entrar na casa pela porta da cozinha e
procurar um refri, Bruno e Lisa ficaram me enchendo prá ir ao carro buscar o
violão, e eu lá interessado no decote da Lisa, até que eu me virei prá ela e
disse:
- “O que eu ganho se buscar o violão
no carro? Um beijo teu?”
E então cuidadosamente peguei o rosto
dela como quem vai dar um beijo, posicionei meus polegares sobre seus lábios
para evitar o contato, e como ela não forçou nada contra, após beijar meus
polegares fui buscar o violão pensando que podia rolar algo realmente bom
aquela noite (Eu realmente tinha e ainda tenho grande admiração pela pessoa que
a Lisa é!).
Voltando com o violão na mão pude
observar pela janela da cozinha Bruno manejando um pó branco (que não era
farinha de trigo) cobre a mesa enquanto Marlon voltava de lá com copos e refrigerante:
- “Ae galera, achei o nosso
combustível!” – Disse voltando para o bar da casa para buscar rum para fazer
umas doses de “Cuba Libre”.
- “É, parece que o Bruno também já
achou o combustível dele...” – disse Amanda fazendo uma cara de nojo digna de
uma patricinha de alto nível, incomodo gerado pelos métodos de diversão não tão
ortodoxos de Bruno, súbito o clima ficou tenso:
- “Ah, vai prá merda você sua patricinha” –
revidou Luana – “deixa o cara se divertir do jeito dele, porra! Você não sabe
metade do que rola na vida dele!”
Rapidamente com a mão livre dei um
abraço na Luana, olhei em seus olhos, e disse: -“Ah que isso, ela também se
preocupa com ele, só vocês duas que se expressam diferente.” - Dei uma
piscadela com o olho e ela entendeu que eu estava falando aquilo somente para
apaziguar os ânimos. Essas duas realmente não se davam, mas a turma abraçava a
todos.
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| Marlon controlando a situação |
A noite estava maravilhosa até que...
(Continua...)


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