sábado, 12 de julho de 2014

Capítulo 1 - Encontro com os velhos amigos

Capítulo I
- Encontro com os velhos amigos –
Os capítulos que se seguem são narrados
em primeira pessoa...
           
A tão badalada praça naquela época...
Na volta o vazio que eu sentia por dentro era tão grande que resolvi dar uma volta pela praça e, na necessidade de ter alguém com quem conversar, tive grande surpresa ao encontrar com amigos que já não tinha mais contato há muito tempo. Nesse momento a garoa já havia passado e já era noite e, depois de gastos quase uma hora relembrando bons momentos – nostalgia – e, no meu caso, lembrando que já foi bom viver e me machucando ainda mais por dentro (é verdade, eu estava mal comigo mesmo), pois não sentia os tais prazeres em viver desde aqueles tempos, Renato enfim convidou a galera para assistir a um filme na casa dele:
- “Levo a Letícia na moto, o restante da galera vai no carro do Eduardo, quem não couber vai a pé mesmo, é perto!”
Como ninguém se manifestou contra, fomos então todos, parece brincadeira, mas no meu carro fomos: eu na direção, Marlon, Lisa, Amanda, Luana e Bruno no banco de trás, no banco do carona foram Bruna e Clayton (ele devidamente grudado no pescoço dela e perturbando a contada pra dar uma chance pra ele...) e, vocês não vão acreditar, mas ainda houve espaço para acomodar Kátia e Priscilla (e meu violão) no porta-malas do carro que seguiu aberto. Kátia e Priscilla davam-se uns “pegas” depois fiquei sabendo que por causa disso o grupo original diminuiu, no fim o preconceito foi maior que a amizade, mas isso é assunto para outro livro!
Assuntos complicados à parte, o que era prá ser uma sessão de filmes ou, como costumávamos dizer: Sessão Pipoca, que iria até às onze da noite no máximo, acabou se tornando a maior festa improvisada (nota: no manuscrito original está escrito "festa-bacanal") que houve na história da turma e que só terminou de fato lá prás nove horas da manhã do dia seguinte, aquela sim foi uma segunda-feira revigorante, aliás aquela foi A SEGUNDA-FEIRA, até hoje comenta-se sobre ela.
A sessão de filmes foi um fracasso, o primeiro a sair da sala onde estávamos fui eu, logo seguido por Marlon que, como todo bom amigo, tratou de pôr minhas idéias à prova.
- “Cara, viu só quanta mulher gostosa por metro quadrado? Eu fico louco com a Amanda cara, ‘cê’ viu ela sentada no chão com aquela saia?”
Foi quando finalmente tentei falar alguma coisa, não tinha visto tamanho espetáculo, se não acho que sairia dali preso por tentativa de estupro (Ela era realmente um pecado, talvez até valesse esse! Talvez não, ah devaneio...). Consegui balbuciar:
-“É, também acho...”
Mas ali naquele momento quem estava me chamando realmente a atenção era Lisa. Poucos minutos se passaram e logo grande parte do grupo estava na varanda da casa, o filme que Renato alugou era comprovadamente uma (merda) droga, se quer me lembro qual filme era, e a menos que se tivesse alguém para beijar durante todo o filme era melhor procurar outra coisa prá se fazer. Ficaram na sala no escuro três casais, Renato e Letícia, Clayton e Bruna, Kátia e Priscila, o tal casal um pouco diferente prá nossa realidade. Marlon resolveu entrar na casa pela porta da cozinha e procurar um refri, Bruno e Lisa ficaram me enchendo prá ir ao carro buscar o violão, e eu lá interessado no decote da Lisa, até que eu me virei prá ela e disse:
- “O que eu ganho se buscar o violão no carro? Um beijo teu?”
E então cuidadosamente peguei o rosto dela como quem vai dar um beijo, posicionei meus polegares sobre seus lábios para evitar o contato, e como ela não forçou nada contra, após beijar meus polegares fui buscar o violão pensando que podia rolar algo realmente bom aquela noite (Eu realmente tinha e ainda tenho grande admiração pela pessoa que a Lisa é!).
Voltando com o violão na mão pude observar pela janela da cozinha Bruno manejando um pó branco (que não era farinha de trigo) cobre a mesa enquanto Marlon voltava de lá com copos e refrigerante:
- “Ae galera, achei o nosso combustível!” – Disse voltando para o bar da casa para buscar rum para fazer umas doses de “Cuba Libre”.
- “É, parece que o Bruno também já achou o combustível dele...” – disse Amanda fazendo uma cara de nojo digna de uma patricinha de alto nível, incomodo gerado pelos métodos de diversão não tão ortodoxos de Bruno, súbito o clima ficou tenso:
 - “Ah, vai prá merda você sua patricinha” – revidou Luana – “deixa o cara se divertir do jeito dele, porra! Você não sabe metade do que rola na vida dele!”
Rapidamente com a mão livre dei um abraço na Luana, olhei em seus olhos, e disse: -“Ah que isso, ela também se preocupa com ele, só vocês duas que se expressam diferente.” - Dei uma piscadela com o olho e ela entendeu que eu estava falando aquilo somente para apaziguar os ânimos. Essas duas realmente não se davam, mas a turma abraçava a todos.
Marlon controlando a situação

Marlon finalmente voltou, após todos os copos preparados, comecei a tocar algumas das canções que a minha banda já tocava. Parte dessas músicas era de nossa autoria, e nessa época começávamos a ter certo prestígio no mercado musical da região. Comecei então cantando ‘Meu amigo computador’: “Sentado num canto ele te espera, pra poder te controlar/ Todo dia ele te espera, todo dia ele está lá./Lágrimas vão correr quando você perceber/ O seu erro, o seu medo, a sua fala de amor e o tempo que passou”. Depois Cantei ‘Boys Don’t Cry’: “I would say I’m sorry if I thought that it would change your mind”. Cantei ‘Que país é esse?’: “Nas favelas, no senado/ Sujeira pra todo lado”. Por fim cantei também uma canção que foi composta antes mesmo da banda existir, ‘Joe’: “Assim como o sol/ o brilho no seu olhar...” E direcionando-me para Lisa: “Por um segundo ela dança/ Alegre, leve e distraída” e ela seguia o ritmo da música, e dançava suavemente, comecei a sentir coisas que anteriormente ela não havia despertado em mim. Cantei um monte de músicas mais, lá pelas tantas dei o violão para Marlon tocar, enquanto eu cantava ‘Hoje a noite não tem luar’ me aproximei de Lisa, cantei com rosto praticamente colado ao dela (ela de salto ficava da minha altura), Lisa usava um perfume ótimo, e quando chegou na parte “e um beijo aconteceu” o beijo aconteceu mesmo! Eu e Lisa nos beijamos. E mais uma vez provando o talento musical meu e de Marlon, concluímos a música.


A noite estava maravilhosa até que...


(Continua...)

sábado, 5 de julho de 2014

Prelúdio

- Prelúdio –


O prelúdio é narrado em terceira pessoa...


            Caía a garoa fina que embelezava a vista naquele fim de tarde, e lá de dentro, o mundo todo, aqui fora, parecia passar sem se importar com o que estava acontecendo lá, dentro do carro, dentro de si, um pouco mais perdido, porém sabendo que podia agora se encontrar, pois já não era mais escravo de nada nem ninguém, “as drogas são passado agora...” pensava ele.

             Ele, chamava-se Eduardo, filho mais velho de uma família que sobrevivia sem a figura materna.

            Com as aulas paralisadas por causa da greve dos professores, de novo (!), ele ficava meio sem saber o que fazer, e definitivamente, estudar não era uma opção. Havia coisas por fazer, tinha planos de viajar para São Paulo e Minas com a banda, de rock, claro, e era tudo complicado, não somente ensaiar, mas também controlar a molecada toda, já que os outros dois componentes da banda eram menores de idade, daí os pais sempre encrencavam, havia também o convite da rádio onde queriam um CD com as canções da banda, que começava a fazer certo sucesso entre os meninos e meninas da cidade de Itaguaí.


***


Seguia o Gol preto, placa KNL 1998, agora andando a beira-mar, do lado de dentro, no aparelho de som tocavam músicas de Green Day, Blink 182, Paralamas do Sucesso, The Cure e Legião Urbana entre outros no volume mais alto. No vidro traseiro do carro via-se estampado em letras grandes e vistosas, mas ao mesmo tempo comportadas: 

NEW ERA.


Foi quando no som do carro começou a tocar uma canção de amor: “Ela passou do meu lado, oi amor, eu lhe falei...” que quase instantaneamente o carro parou beirando a orla mal conservada de Coroa Grande, nesse instante ele sentiu, e doeu como, se tivesse levado um soco no estômago, lembrou-se de como começou a escutar Rock, de como era feliz naquela época, de como adorava viver, lembrou-se que na época de seus quinze anos, nenhum problema o atingia, mesmo quando estava sem ninguém não se sentia sozinho, Elaine, sua grande paixão, era um sonho realizável e agora era parte do passado, ainda tinha sua mãe ao seu lado, e mesmo hoje, momento em que conseguiria ter qualquer garota que quisesse ele, Eduardo, sentia-se realmente só, sem um caminho prá seguir.

Resolveu voltar para casa...




Continua...

A CAPA